20.11.16

Tomadas de consciência - Zero Waste Home

Este ano tem sido de grandes descobertas no que diz respeito ao combate ao desperdício. Se até Junho vivia na ideia de que contribuía o suficiente para proteger o planeta, um mês depois, quando assisti a uma palestra da Bea Johnson na Junta Freguesia de Alvalade, compreendi que ainda tenho um longo caminho a percorrer no que diz respeito a questões ambientais [e também pessoais]. Senti que este dia marcou um ponto de viragem, pois compreendi que o estilo de vida "desperdício zero" tinha algo de muito mais atraente: viver mais e melhor com menos.

Conferência Zero Waste Home - 8 Julho 2016

Nesta tomada de consciência, detectei dois grandes problemas:

1. Ambiental
Afinal aqui em casa produzimos muito mais lixo do que seria desejável.
Eu, na minha ingenuidade, pensava que contribuía o suficiente para proteger o planeta através de simples gestos como não comprar sacos de plástico, não deitar lixo para o chão, separar e reciclar tudo o que é possível [plástico, cartão, vidro, pilhas, tinteiros, aparelhos electrónicos, cápsulas de café, tampinhas das garrafas ou mesmo rolhas de cortiça]. Descobri que antes disto há muitas outras coisas que posso fazer para evitar a produção de resíduos domésticos.

2. Pessoal
Vivo com demasiadas coisas que não preciso.
Fazendo uma auto-análise, depressa chego à conclusão que há demasiadas coisas desnecessárias em todas as divisões. Livros, DVD's, roupa, embalagens, produtos de higiene pessoal, utensílios de cozinha e até mesmo produtos de limpeza.

Relativamente à questão pessoal, e embora não me tenha tornado numa psicótica em relação ao tema, aproveitei a deixa para começar por praticar o desapego de bens materiais, um dos meus passatempos preferidos mas que na verdade só praticava cerca de duas vezes por ano e de uma forma "superficial".
O objectivo: identificar tudo aquilo que não precisamos ou que nunca mais vamos usar. Esta análise aplica-se a tudo o que há em casa. Não é fácil mas o que custa é começar.

Uma vez que nunca tive grande dificuldade em me desfazer de bens materiais [especialmente aqueles aos quais não tenho grande ligação] considerei que iria ser uma tarefa fácil. No entanto, rapidamente me deparei com pequenas lutas interiores que me fizeram pesar os prós e os contras de me desfazer de alguns pertences. Felizmente, perguntas simples foram o suficiente para encontrar as respostas...

Exemplos:

DILEMA: "Tenho um fraquinho por material de papelaria, especialmente canetas."
Pergunta: "Preciso de 100 canetas?"
Resposta: "Não... Só tenho dois braços e escrevo apenas com 1! Interessa-me mais ficar com poucas canetas mas boas do que dezenas que não prestam."

DILEMA: "Esta roupa pode vir a dar jeito!"
Pergunta: "Quantas vezes deu jeito?"
Resposta: "Nenhuma!"

DILEMA: "Tenho tantos DVD's... E se um dia me apetecer ver um?"
Pergunta: "Quantos DVD's dos teus viste nos últimos anos?"
Resposta: "Zero! Vejo tudo através da Apple TV ou da box da Vodafone"

DILEMA: "Gosto tanto de livros... Não sei se me consigo desfazer de alguns."
Pergunta: "Costumas ler o mesmo livro duas vezes?"
Resposta: "Não. E mesmo que o faça, é com largos anos de intervalo."

Afinal até não é assim tão difícil... E em relação aos espaços que vão ficar "vazios", é só pensar na vantagem da próxima vez que for limpar o pó!

Uma dica: depois de separarmos tudo aquilo que não precisamos, é muito importante darmos seguimento a este processo, seja através da venda de alguns bens ou de doações a instituições carenciadas. O importante é não remeter essa selecção de bens desnecessários para uma qualquer divisão ou arrecadação, caso contrário, o trabalho feito até ao momento perde todo o sentido.

Onde me posso desfazer de alguns destes bens?

- Existem inúmeros contentores da Associação Humana Portugal onde podemos depositar roupa usada. A entrega também pode ser feita directamente nas lojas;
- Sites de vendas como o OLX ou o Custo Justo;
- Feiras de segunda mão;
- Doação a instituições.

[brevemente, farei um post apenas sobre este tema]

Por onde comecei a mudança?

Depois de reflectir sobre qual a divisão da casa por onde começar, decidi escolher a casa de banho. É incrível como esta pode ser uma das divisões onde acumulamos mais coisas inúteis! E quase tudo em quantidades muito superiores às necessárias: vernizes, cremes, maquilhagem, produtos de higiene pessoal, perfumes, amostras de tudo e mais alguma coisa, sabonetes e outros produtos de hotéis [qual é a paranóia com estes sabonetes que tantos de nós guardamos religiosamente para nunca usar?] e por fim, uma quantidade - um pouco assustadora - de medicamentos fora do prazo que fui entregar à farmácia.
Em relação aos produtos que tinha a mais, decidi dar alguns e usar outros, aproveitando o momento para fazer uma espécie de juramento: não voltar a deixar acumular.

A experiência

Desfazermo-nos de bens inúteis pode ter um efeito incrivelmente terapêutico. Não há dúvida de que vivemos com coisas a mais, muitas das quais não precisamos nem nunca vamos precisar.
Acredito que neste processo é tudo uma questão de hábito... Não acumular passa por não comprar desnecessariamente ou por impulso, por não aceitarmos brindes inúteis que nos dão em todo o lado e por sensibilizar os amigos e a família no sentido de não oferecerem presentes que não vamos usar.

Por aqui, o que pretendo é começar a viver melhor com menos e gradualmente reduzir o desperdício noutras áreas. Um conselho: não tentem fazer tudo de um dia para o outro. É importante que as mudanças sejam graduais e que se adaptem à nossa realidade de forma a conseguirmos mantê-las.


A quem interessar, fica a sugestão de leitura: o livro Desperdício Zero da Bea Johnson.


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